Socorro, meu cabelo está caindo!

Encontrar cabelo em excesso no ralo do chuveiro, nas escovas, na fronha do travesseiro são sinais de alarme.

Os números encontrados na literatura médica relacionados à alopecia (calvície) são impressionantes: 50% dos jovens a partir dos 15 anos de idade já começam a perder os cabelos. As meninas também apresentam o problema. Inúmeros trabalhos médicos internacionais demonstram que uma em quatro mulheres tem problemas de queda anormal dos cabelos.

Mas, afinal qual a causa disso em indivíduos tão jovens?

A alopecia nos adolescentes quase sempre decorre de uma associação de causas. Sem dúvida, as alterações hormonais dos rapazes e das moças nesta fase da vida são naturais e, nela, há um aumento significativo da oleosidade do couro cabeludo. Como consequência, é comum nesta região o aparecimento de uma inflamação chamada de dermatite seborreica (caspa). Desta inflamação resultam a caspa e o aumento da queda de cabelos.

Entre os vários tipos de alopecia a androgenética é a mais comum, atinge principalmente os homens. O DHT uma substância derivada da testosterona destrói o bulbo capilar.

Outras causas:

  • Predisposição genética (principalmente nos homens).
  • Estresse.
  • Deficiências nutricionais e vitamínicas.
  • Drogas ilícitas e álcool.

A queixa de rareamento capilar desses jovens pacientes que procuram o Instituto do Cabelo vem sempre acompanhada de sinais negativos de autoestima. Este fator leva a problemas secundários como isolamento e depressão. Outra intercorrência que observamos na clínica diária é a relação direta entre queda dos cabelos e as cirurgias de redução de estômago, procedimento este que vem aumento consideravelmente, motivado justamente pela obesidade mórbida e, até mesmo, com finalidade puramente estética.

E as dietas? Sem dúvida os regimes para emagrecer sem acompanhamento médico e os modismos alimentares para redução de peso são causas frequentes de uma queda anormal dos cabelos. A busca incessante para enquadrar-se nos padrões de beleza ditados pela mídia agrava a situação. Muitas vezes camufladas na queixa da queda dos cabelos encontra-se uma doença grave e que pode ser fatal: a anorexia nervosa.

A alimentação inadequada e em horários irregulares também é bastante prejudicial para os cabelos. O prejuízo nutricional advindo do excesso de ingestão de gorduras e sal pelos jovens é significativo.

Para que se tenha ideia concreta do problema, as principais redes de fast-food do país vendem sanduíches com percentual de gordura e sal que chegam a corresponder à quase totalidade diária dos nutrientes recomendados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), segundo levantamento do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor).

A ingestão em excesso de bebidas alcoólicas, refrigerantes com açúcar e doces em grande quantidade é prejudicial aos cabelos. É importante frisar o malefício das drogas ilícitas como maconha, cocaína, crack e outras, com risco de morte, que representam para seus usuários e, também, como causa importante de calvície nos jovens. Merecem destaque os esteroides anabolizantes usados para tornar o corpo “sarado” e aumentar a autoestima. Estas drogas levam a problemas irreversíveis no fígado, rins, testículos e coração. Portanto, se o usuário se mantiver vivo, ficará calvo, com certeza. Dessa forma, não use esteroides anabolizantes sem indicação médica especializada.

Dicas para não ficar careca:

  • Alimente-se de forma variada e em horários corretos.
  • Fique longe das drogas, álcool, cigarro e anabolizantes.
  • Fuja dos salgadinhos, biscoitos, batatas fritas e do fast-food.
  • Suplementos alimentares indicados para “malhação” podem ser ingeridos, desde que não contenham substâncias hormonais em suas formulações.
  • Raspar a cabeça não fortalece os fios.
  • Pratique esportes. O sedentarismo aumenta a produção de óleo pelas glândulas sebáceas.
  • O uso de gel não prejudica os cabelos. Use produtos que não contenham álcool ou silicone (PVP).
  • Tiaras, elásticos, “piranhas”, dreads e grampos podem provocar calvície irreverssível por trauma e tração do cabelo.
  • Use o boné somente para proteger-se do sol.
  • Drogas ilícitas (maconha, cocaína, ecstasy, crack), excesso de álcool e o fumo provocam queda dos cabelos.
  • Uso de “chapinhas” causam danos irreversíveis aos fios. O secador pode ser usado, em temperatura média e a uma distância de 30 centímetros dos fios.
  • Os cabelos podem ser tingidos. Procure um técnico capacitado e produtos aprovados pela ANVISA.
  • Tatuar o couro cabeludo raspado impedirá o crescimento dos fios na área tatuada de forma definitiva. Pense bem!
  • Nunca durma com gel ou musse nos cabelos. Isto provoca a quebra dos fios.
  • Nunca lave a cabeça com água quente. A temperatura ideal da água é de 20°C. na prática sinta frio ao lavar a cabeça.
  • Lave a cabeça, diária e suavemente com xampus sem sal.

Dr Luciano Barsanti
Médico Tricologista
Diretor Instituto do Cabelo
Presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia
Autor do Livro “Dr Cabelo” – Editora Elevação

Dra Beatriz Salles Aguiar. Médica (CRM 20610) responsável pelo Ambulatório  Médico do Colégio Bandeirantes.

Contusões – Primeiro Atendimento

Nossos alunos perguntam por que tratamos com gelo todos aqueles que sofrem batidas, pancadas e entorses que comparecem ao Ambulatório do Colégio Bandeirantes: “Por que colocar gelo no dedo que está doendo após uma bolada?”

Antes de tudo, esclareçamos o que se define por contusão:

Contusão é toda lesão produzida em nossos tecidos por um agente mecânico (contundente), como uma batida, sem que haja ferimento com rompimento da pele.

Entorses podem ser definidos de maneira simples como torções das articulações (juntas) por um trauma, sem ruptura de pele.

Em ambos os casos, logo após a agressão aos tecidos começa a reação dos mesmos, resultando em edema (inchaço), que nada mais é do que o extravasamento (saída) de líquidos dos tecidos para fora de seus lugares habituais (células e vasos sanguíneos), mantendo-se, porém, abaixo da pele, sem rompê-la. Esse líquido rapidamente ocupa espaço entre os tecidos contundidos, fazendo com que a dor apareça e aumente, se não tomadas medidas para fazer cessar o processo e revertê-lo.

O gelo promove diminuição da dor porque reduz o inchaço (edema) e hematomas (coleções sanguíneas entre os tecidos), devido à vasoconstricção que provoca, isto é, o frio faz os vasos sanguíneos reduzirem seu calibre, fazendo com que não sangre mais ou o sangramento seja menor, diminuindo os efeitos deletérios (ruins) no momento, propiciando uma melhor recuperação depois. Também, pelo mesmo mecanismo de redução do aporte de líquido à região, faz com que o edema não aumente muito mais após a aplicação do gelo.

Quando devemos usar gelo nas contusões? SEMPRE.

Pode-se usá-lo em traumatismos musculares, tendinosos, ligamentares, câimbras e até em “galo” na testa após uma cabeçada. O “galo” nada mais é do que um hematoma em formação.

O gelo deve ser colocado no local que está doendo imediatamente após o traumatismo. Para proteger a pele utiliza-se uma toalha entre a pele e o recipiente (pode ser um saco plástico) com gelo.

Nas grandes articulações (cotovelo, ombro, coxa, joelho, tornozelo ) a aplicação deve durar no mínimo 30 minutos, podendo ser repetida a cada 20 minutos. Nos dedos aplica-se o gelo por um período de 10 minutos. Essa alternância visa não só manter a irrigação sanguínea dos tecidos, mas também provocar, durante a retirada do gelo, a diminuição do edema já ocorrido, pelo efeito rebote (entenda-se retorno rápido) da circulação ao retirarmos o gelo momentaneamente (os vasos que já pararam de sangrar podem reabsorver os líquidos nesse momento).

Não se aplica gelo diretamente em feridas abertas ou queimaduras, por perigo de se aumentar eventual área de necrose (morte de tecidos) e infecção.

Orientação Prática:

O que fazer ao terminar de treinar e sentir dor em alguma parte do corpo ou suspeitar de alguma contusão:

Gelo: imediato e nas primeiras 24 a 48 horas após a lesão ou inicio da dor. Esse período é crítico, logo, fazer compressas geladas com freqüência (ver intervalos e razões acima, no texto);

Elevação do membro contundido, isto é, manter o local afetado para cima, para evitar que, por força da gravidade, o inchaço (edema) aumente, assim como para desinchar;

Descanso: a continuação da prática esportiva poderá agravar a lesão. Se a dor não desaparecer rapidamente só voltar a treinar após ter obtido parecer profissional a respeito do problema.

Em Resumo:

Trauma Fechado (sem sangramento):

  1. Gelo;
  2. Imobilização do membro (até se conhecer a gravidade da lesão);
  3. Elevação do membro;
  4. Consulta a profissional de saúde

Autores:

Beatriz Salles Aguiar – Médica (CRM 20610) responsável pelo Ambulatório Médico do Colégio Bandeirantes, Especialista em Pediatria pela Faculdade de Medicina da USP e Sociedade Brasileira de Pediatria, Especialista em Medicina Desportiva pela USP;

Luiz Alvaro de Menezes Filho – Médico (CRM 22033), Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela USP e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Mestre e Doutor em Ortopedia e Traumatologia pela USP, Especialista em Medicina Desportiva pela USP.

Conjuntivite Viral

O tipo de conjuntivite mais comum no verão é o causado pelos vírus. E sua principal característica, de acordo com o oftalmologista Milton Ruiz, do Hospital das Clínicas de São Paulo, é ser altamente contagiosa.

Esse tipo de conjuntivite pode durar de duas a três semanas. Ela é transmitida facilmente pelo uso compartilhado de sabonete, toalha, telefone, computador, ou então por aperto de mão, cumprimentos, beijo, gotículas de saliva (expelidas durante uma conversa) e até ao encostar a mão em escada rolante ou outras superfícies, diz Ruiz.

– O veículo principal é a mão. Por isso é preciso lavar as mãos muitas vezes.

A higiene das mãos é importante tanto para não passar o problema adiante como para se proteger dele. O médico alerta também que é fundamental não coçar os olhos.

Os primeiros sintomas de uma conjuntivite viral são desconforto em um dos olhos – que fica vermelho em 24 horas –, secreção de um líquido e o aparecimento de um caroço na frente do ouvido (gânglio). Em até 72 horas, o segundo olho também se compromete.

Segundo Ruiz, quem estiver com esses sintomas deve imediatamente adotar medidas para impedir a transmissão, como isolar os materiais que têm contato com as mãos e optar pelo uso de lenços de papel, que são descartáveis.

Para aliviar o desconforto nos olhos, o recomendável é fazer uma compressa fria de água filtrada ou mineral. O melhor, diz Ruiz, é despejar o líquido num copo descartável e molhar os olhos usando um algodão. Depois, tudo deve ser jogado fora.

– Não se deve usar soro fisiológico nem água boricada, que podem ser guardados contaminados [e, com isso, causar novas infecções].

Se os sintomas da conjuntivite forem leves, de duas a três semanas eles devem desaparecer. Nesse período, no entanto, as compressas geladas e as medidas para impedir a transmissão precisam ser adotadas.

Mas se os sintomas persistirem ou piorarem no final da primeira semana, com o aparecimento de dor, desconforto e fotofobia (aversão à luz), é necessário buscar um oftalmologista.

Confira os principais cuidados com a conjuntivite viral:

  • Usar somente o próprio colírio.
  • Não guardar o colírio aberto.
  • Não se automedicar.
  • Não usar colírio com corticoide, nem colírio de antibiótico.
  • Inicialmente, o melhor é fazer apenas a compressa gelada e imediatamente adotar as medidas que impedem a disseminação.
  • Se o quadro piorar e aparecerem sinais de dor, desconforto e fotofobia, procure um médico.
  • Se as medidas básicas forem adotadas e o quadro não piorar, continue com o tratamento por duas semanas.

Fonte: Matéria do Portal R7, publicada em 16/03/2011 às 16h50