Informações sobre o HPV

O que é o Papiloma Vírus Humano (HPV)?

O HPV é um vírus que ataca homens e mulheres. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, dos quais cerca de 40 tipos afetam a área genital. Alguns causam verrugas não cancerígenas no colo do útero e nos genitais, de difícil tratamento e que recidivam com frequência (tipos 6 e 11) e outros, principalmente os tipos 16 e 18, causam câncer de colo de útero, vulva, vagina, pênis e anus.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é a terceira neoplasia maligna mais comum em mulheres, sendo superado apenas pelo câncer de pele (não melanoma) e pelo de mama. É a quarta causa de morte por câncer em mulheres (9). No Brasil, ainda são registrados mais de 19,2 mil casos da doença a cada ano (7).

A infecção pelo HPV é a doença de transmissão sexual mais comum atualmente, afetando 50% das pessoas sexualmente ativas, na maioria das vezes de forma assintomática. 6-7

O fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer de colo de útero é a infecção pelos tipos oncogênicos do HPV (tipos 16 e 18). É importante saber, no entanto, que ter contato com o vírus não significa desenvolver alguma doença ou transmiti-la. Pessoas saudáveis, com sistema imunológico normal, costumam eliminar o HPV espontaneamente.

Como ocorre a transmissão?

O vírus é altamente contagioso podendo ser encontrado na pele e nas mucosas. A transmissão geralmente acontece pelo contato com a região infectada. O HPV não necessita de penetração para se instalar; pode ser encontrado na virilha, nas coxas ao redor da região genital e na mucosa oral. Portanto, carícias íntimas entre duas pessoas (“amasso”) podem transmitir o vírus. Existe também, mais raramente, a possibilidade de transmissão vertical (mãe/ feto) e de contaminação por meio de objetos que contenham o HPV (roupas íntimas, sabonete, toalhas, instrumentos médicos) e pelas mãos, o que explica a possibilidade de contaminação mesmo com o uso de camisinha. O nível de proteção do preservativo é só de 60%. Isso porque ele barra apenas a invasão do vírus no órgão genital. O resto do corpo fica desprotegido à mercê do menor contato com o vírus, que pode ser transmitido mesmo sem a presença de lesões.

A evolução da infecção pelo HPV é igual para ambos os sexos?

Tanto o homem como a mulher infectados pelo HPV, geralmente desconhecem que são portadores do vírus, especialmente quando não possuem verrugas visíveis, mas podem transmitir o vírus aos seus parceiros. O órgão genital da mulher permite maior desenvolvimento e multiplicação do vírus, facilitando o aparecimento de lesões que podem evoluir para o câncer.

O HPV tem cura?

Na maioria das vezes, o sistema imune consegue combater a infecção pelo HPV, com eliminação completa do vírus, principalmente em pessoas jovens. A melhor forma de prevenir estas infecções é a vacinação e o uso de preservativo.

O que é a vacina quadrivalente contra o HPV?

A vacina quadrivalente recombinante contra o HPV evita a infecção por 2 tipos de vírus cancerígenos (16 e 18), responsáveis por 70% de todos os tipos de câncer de colo de útero, mais de 50% de câncer de pênis e 40% de tumores anais, e 2 tipos de vírus não cancerígenos (6 e 11), que causam 90% de todos os casos de verrugas genitais. (3-6-7-9-10)

A vacina quadrivalente é altamente efetiva (99%) contra câncer de colo de útero e outras lesões genitais, malignas ou não, em mulheres e homens jovens sem contato prévio com o vírus. A vacina não trata infecções pré-existentes pelo HPV ou suas complicações. (10)

Qual é a indicação da vacina?

A vacina foi testada e está sendo indicada para mulheres e homens entre 9 e 26 anos. Os adolescentes devem receber o esquema completo de vacinação antes de se tornarem sexualmente ativos. A vacina é potencialmente mais eficaz em indivíduos que nunca entraram em contato com o HPV, embora os que já foram expostos a algum tipo do vírus também possam se beneficiar da vacinação, porque serão protegidas dos demais tipos contidos na vacina.

A vacina não é recomendada para mulheres grávidas.

Por que a Secretaria da Saúde só está vacinando as meninas?

Como a estratégia de vacinação é reduzir os casos e mortes ocasionados pelo câncer de colo uterino a vacinação através da Secretaria da Saúde será restrita as Meninas. Segundo estudos australianos os meninos passam a ser protegidos, indiretamente com a vacinação das meninas. (imunidade de rebanho)

População alvo

A população alvo para vacinação, da Secretaria da saúde, é composta por adolescentes do sexo feminina na faixa etária de 11 a 13 anos em 2014, na faixa etária de 9 a 11 anos em 2015 e a partir dos 9 anos de idade em 2016.

Esquema vacinal da Secretaria da Saúde

A vacinação consiste na administração de três doses, com esquema vacinal de 0, 6 e 60 meses (5 anos): esquema estendido.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) recomendou o esquema estendido como uma opção para programas públicos de imunização em larga escala de meninas de 11 a 13 anos. Esse esquema baseia-se em um estudo ainda em andamento, realizado no Canadá com 310 meninas de 9 a 13 anos que já receberam duas doses do esquema estendido (0 e 6 meses). O resultado do acompanhamento de 36 meses mostrou que a resposta imunológica foi comparável à obtida em mulheres de 16 a 26 anos que receberam o esquema padrão (0, 2 e 6 meses). Apenas o acompanhamento dessas meninas de 9 a 13 anos a longo prazo poderá confirmar se existe manutenção da resposta imune e eficácia clínica com o uso deste novo esquema.

Esquema vacinal padrão, proposto pelos produtores da vacina (Merck Sharp & Dohme).

O esquema vacinal feito nas instituições privadas  é o tradicional: 0, 2 e 6 meses.

Mulheres e homens de mais de 26 anos devem ser vacinados?

Estudos sobre esta vacina estão sendo realizados em homens e mulheres com idade superior a 26 anos. A liberação de vacina para estes grupos aguarda o parecer da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Quais os efeitos colaterais da vacina?

Os estudos de desenvolvimento clínico não demonstraram efeitos colaterais graves. Os mais frequentes são os seguintes: dor no local da injeção e febre baixa (10% dos casos).

Qual a duração de proteção da vacinas?

Até o momento, os estudos demonstram que as mulheres e homens vacinados estão protegidos por no mínimo 8,5 anos. A duração exata da proteção da vacina ainda é desconhecida.

É necessária dose de reforço?

Até o momento a resposta é não. Só estudos em longo prazo poderão determinar a necessidade ou não de dose de reforço.

As mulheres vacinadas ainda precisam fazer controles de rotina?

A vacinação não exclui a importância de se fazer o exame de Papanicolau uma vez por ano, pelos seguintes motivos:

  1. o Papanicolau detecta precocemente, em 80% dos casos, alterações celulares que podem se transformar em câncer.
  2. a vacina não proporciona proteção contra todos os tipos de HPV que causam câncer de colo de útero.
  3. as mulheres que já tenham tido infecção pelo HPV podem eventualmente não se encontrar totalmente protegidas após a vacinação.
  4. as mulheres que não tomaram as 3 doses da vacina podem também não estar totalmente protegidas.

Qual o esquema de vacinação?

Três doses (intramusculares), com intervalo de 2 e 6 meses após a primeira aplicação.

Existe alguma contra indicação?

  1. Vigência de quadro febril, infeccioso agudo.
  2. Gestação.
  3. Alergia a alumínio ou reação adversa a uma dose prévia da vacina.
  4. Uso de drogas imunossupressoras e corticoide em altas doses por período superior a 14 dias.
  5. 5. Alterações de coagulação (pode ocorrer sangramento local).

Nos 2 últimos casos sugerimos que o médico da criança/ adolescente seja consultado.

Recomendações:

  1. O uso de preservativo é indispensável, não só contra a infecção pelo HPV, mas também contra todas as outras DSTs.
  2. O HPV pode ser transmitido na prática de sexo oral.
  3. A consulta com ginecologista é muito importante. A incidência de câncer de colo de útero é baixa em mulheres com menos de 25 anos de idade. A Sociedade Americana de Cancerologia aconselha que todas as mulheres façam o teste de Papanicolau, anualmente. Os controles devem começar 3 anos após o início da vida sexual ativa, ou no máximo até os 21 anos.

Referências

1. American Cancer Society. Available at.
http://documents.cancer.org/115.00/115.00.pdf. Accessado em 25 de Abril de 2009.

2. American Cancer Society. Available at.
www.cancer.org/dowloads/PRO/CervicalCancer.pdf . Acessado em 25 de Abril de 2009.

3. NIP/CDC. http://www.cdc.gov/vaccines/vdp-vac/hpv/vac-faqs.htm. Acessado em 22 de Abril de2009.

4. Steinbrook R. N Engl J Med. 2006; 354 (11):1109-1112. A correction has been published: N Engl J Med2006:355(7):745.

5. Atenção Integral a Saúde da Mulher.
http://www.gineco.com.br/vacinahpv.htm. Acessado em 22 de Abril de 2009.

6. Boletim Feury Medicina e Saúde.
http://www.fleury.com.br/Medicos/SaudeEmDia/RevistaMedicinalESaude/pages/81Vaci. Acessado em 22 de Abril de 2009.

7. Revista Fleury Saúde em Dia.
http://www.fleury.com.br/Clientes/SaudeDia/RevistaSaudeEmdia/pages/8Vacinacontra. Acessado em 22 de Abril de 2009.

8. Evite o Câncer do Colo do Útero.
http://www.casadevacinasgsk.com.br/hpv/cancer-colo-utero.asp. Acessado em 22 Abril de 2009.

9. HPV. Câncer de Colo do Útero. Verrugas Genitais.Guia de Ginecologia .Merck Sharp & Dohme. MC 450/08. 06-2009-GRD-08-BR-450-PE.

10. Vacina Quadrivalente Recombinante Contra Papilomavírus humano (tipos 6, 11, 16, 18). Merck Sharp & Dohme.MC 003/08.12-08-GRD-2007-MVD1237101-DA.11-2008-GRD-08-BR-003-DA.

11. Journal of Infectous Desease 01/01/2011,203:49-57, 2011.

12. The New England Journal of Medicine, 03/02/2011.

 

Pesquisas do Ambulatório são destaque em Congresso

Rita Vázquez, da Orientação Educacional e a Dra. Beatriz Salles Aguiar, responsável pelo Ambulatório do Band, participaram do 12º Congresso Brasileiro de Adolescência, em Florianópolis (SC). Durante os quatro dias de evento, apresentaram dois trabalhos realizados no Bandeirantes e também participaram de palestras voltadas para o tema “Adolescente e a Nuvem”.

Rita Vázquez e Dra. Beatriz Salles Aguiar

Os dois trabalhos apresentados remetiam a pesquisas feitas dentro do Colégio focando nos alunos que frequentam o ambulatório. Um deles se intitula “Estudo das causas que levaram os adolescentes a procurar pelos serviços do ambulatório durante o ano de 2011” e o outro, “Perfil do ambulatório de uma escola particular na cidade de São Paulo”.

O primeiro trabalho tratava de uma pesquisa que buscou esclarecer as causas que levam os alunos a procurar o Ambulatório do Band. Já o segundo, mostrou os artigos postados no blog Band Informa, um serviço de orientações médicas e estéticas aos adolescentes; a conclusão é que esse serviço ajuda a informar e fortalecer a autoestima dos adolescentes.

As palestras assistidas pela Dra. Beatriz e pela Profa. Rita alternavam entre temas da Medicina e apresentações sobre o lado social, escolar e relacional do adolescente. “Após as palestras, nós trocávamos impressões e experiências com vários profissionais da área”, explicou Rita.

Novas pesquisas já estão programadas para um futuro breve. “Os dois trabalhos foram realizados no Band e os próximos também terão essa óptica de usar o Colégio e os alunos como referência. Os estudantes serão o principal foco”, revelou a Dra. Beatriz.

“O Congresso foi muito importante porque além de apresentarmos os dois trabalhos encontramos pais de alunos e ex-alunos que puderam ver o trabalho que estamos realizando e fizemos contacto com palestrantes que se prontificaram a escrever artigos em sua área para o Blog. Muitos dos ex-alunos disseram ter gratidão pela formação pessoal e profissional proporcionada pelo Band e lembraram do colégio de maneira muito carinhosa”, contou Rita.

Acne

O que é a acne?

É uma doença de predisposição genética, cujas manifestações dependem da presença dos hormônios sexuais. Devido a isso, as lesões começam a surgir na puberdade, sendo extremamente comuns afetando cerca de 80-85% dos adolescentes entre 12 aos 25 anos. Atinge ambos os sexos, sendo geralmente mais grave no homem. Apresenta menor incidência em asiáticos e negros. É uma doença não contagiosa.

Dependendo de sua gravidade as alterações na pele podem deixar cicatrizes indeléveis marcando também psicologicamente a vida do adolescente e muitas vezes pela vida toda.

Por que ocorre?

Há necessariamente uma tendência genética, por isso filhos de pais que tiveram ou têm acne precisam procurar tratamento precocemente quando de suas manifestações, pois o quadro neles tende a ser mais grave do que nos filhos de pais que não tiveram acne. A tendência genética associada ao aumento de secreção dos hormônios sexuais que ocorre nessa fase da vida levarão ao estímulo das glândulas sebáceas que produzirão mais sebo e o seu acúmulo propiciará a proliferação da bactéria causadora da acne (Propioniobacterium acne) em diferentes formas de gravidade.

Tipos de acne

Classificação da acne:
A acne pode ser classificada de acordo com a sua gravidade:
Grau I – presença apenas de comedões (cravos), sem lesões inflamatórias (espinhas)
Grau II – presença de cravos, pápulas e pústulas (espinhas)
Grau III – cravos, pápulas, espinhas e cistos
Grau IV – cravos, espinhas, lesões císticas maiores que podem se interconectar pela pele (acne conglobata), formando “túneis”.

Como tratar?

Quem tem pele acnéica precisa lavar o rosto com sabonetes específicos para esse tipo de pele duas vezes ao dia. Repetir o procedimento mais vezes pode piorar a acne. Usuárias de maquiagem podem optar por produtos “oil-free” não comedogênicos, que devem ser removidos diariamente com demaquilantes não oleosos.

Homens com acne na face devem optar por aparelhos de barbear elétricos ou outro instrumento que cause menos danos. No caso de se optar por lâminas, deve-se primeiramente amaciar os pêlos com sabão e água morna antes de aplicar o creme de barbear.

Não aperte, esprema ou manipule espinhas. Quando uma espinha é “espremida”, mais eritema (vermelhidão), edema (inchaço) inflamação e cicatrizes poderão surgir.

O tratamento da acne varia de acordo com a gravidade da acne e deve ser sempre orientado pelo dermatologista. Inclui opções como:

  • Produtos de uso tópico como vitamina A ou peróxido de benzoíla – auxiliam na desobstrução dos poros e reduzem a proliferação de bactérias, mas podem causar ressecamento e descamação.
  • Antibióticos de uso tópico – utilizados nos casos de acne de menor gravidade. Quando grandes pústulas vermelhas não estão presentes.
  • Antibióticos orais – indicados para casos moderados a severos, especialmente quando há grande número de lesões nas costas ou tórax. Os antibióticos diminuem a quantidade de bactérias contidas no interior dos folículos e podem auxiliar na redução do eritema.
  • Hormônios femininos ou medicamentos que reduzem os efeitos de hormônios masculinos – indicados para os casos de acne grave.

Dicas

  1. Acne é uma questão médica e deve ser tratada pelo dermatologista.
  2. Na acne grau 1 é necessária a realização da limpeza de pele para extração dos comedões (cravos) e deve ser feita por esteticista com experiência, sem lesar a pele.
  3. Não esprema sozinho as lesões de acne: outras bactérias da pele podem superinfectar o local, agravando o problema, podendo levar a cicatrizes ainda mais graves.
  4. Lave a pele com sabonetes que controlem a oleosidade e utilize água fria. A água quente estimula a secreção oleosa.
  5. Alimentos não pioram a acne. Eventualmente, algumas pessoas referem piora com chocolate, amendoim, manga e outros alimentos. Pode haver uma questão psicológica ou de alergia associada, devendo ser evitados tais alimentos. Os trabalhos publicados não chegaram a um consenso até o momento.
  6. Sexo e masturbação: só pioram a acne quando realizados com sentimento de culpa. São situações normais e devem ser encarados dessa maneira.
  7. Quanto mais precocemente se procura o tratamento correto da acne, melhores os resultados.
  8. A auto-estima do adolescente deve ser valorizada, pois é uma fase de muitos conflitos e dúvidas. Eventualmente até uma avaliação psicológica pode ser necessária.
  9. Nos casos onde outras alterações possam estar associadas como hipertricose (aumento dos pêlos), obesidade e alterações menstruais, outros especialistas, como ginecologistas e endocrinologistas devem ser consultados.
  10. Tecnologias: atualmente é possível tratar a acne ativa com fototerapia que inibe a proliferação da bactéria causadora da acne. Cicatrizes deixadas pela acne podem ser tratadas com laser fracionado ablativo e não ablativo com bons resultados.

Dra Shirlei Schanaider Borelli. CRM: 44236
Dermatologista.  www.dermat.com.br

 

Vestibular e descanso: é possível?

Autores: Roberto Nasser, Elisabete Rosa, Juvenal Carlos Schalch e Osmar Antônio Ferraz.

O Ensino Médio é uma fase muito complicada para o adolescente, pois ele está chegando à reta final de seus estudos fundamentais e partindo para desafios mais complexos e decisivos em sua vida. No entanto, o último ano do Ensino Médio é o que parece trazer os alunos a essa consciência, tornando-os mais ansiosos, preocupados, agitados e, muitas vezes, esgotados.

Nesse período da vida escolar, a preocupação com o vestibular vai de encontro com as vontades dos adolescentes, que prefeririam descansar, encontrar-se com os amigos nos finais de semana, viajar nas férias. Mas será, mesmo, que esses interesses são completamente incompatíveis? Nem sempre.

O que ocorre nesse período da vida é que o aluno, talvez pela primeira vez em sua vida, tenha de assumir uma postura madura e responsável e identificar quais são suas prioridades. Se para ele o vestibular, a faculdade, não é uma prioridade, não há um dilema a resolver: o aluno não precisa dedicar-se com mais afinco aos estudos. No entanto, caso considere algo importante para sua vida, naquele momento, concorrer a uma vaga em uma determinada instituição de ensino superior, ele precisará deixar para segundo plano outras atividades que considera prazerosas. A possível recompensa, ao final do ciclo dos vestibulares, só virá com muito trabalho e dedicação.

Por outro lado, os alunos que admitem o vestibular como uma prioridade, muitas vezes, acabam pecando pelo exagero: abandonam completamente atividades prazerosas, o convívio social; diminuem as horas de sono, passando parte da madrugada a estudar; não viajam nem se divertem nas férias, alimentam-se mal para não perder muito tempo com as refeições. Embora esses alunos estejam certos do que desejam e estejam deixando clara sua prioridade, não estão sendo responsáveis, pois estão tomando atitudes que comprometem seu aproveitamento. Uma pessoa exausta, com sono e mal alimentada não consegue raciocinar direito.

Sendo assim, o ideal é que o aluno não seja exagerado, mas sim, acima de tudo, organizado. A organização permite que o vestibulando consiga estudar e descansar na medida necessária.

Como se organizar

 Em todo e qualquer planejamento, é necessário estabelecer objetivos possíveis de serem alcançados. Sendo assim, não adianta o aluno elaborar uma planilha de horário de estudo com muitas horas se, de antemão, ele já sabe que não conseguirá cumpri-las. Dessa forma, o adolescente deve estabelecer determinados horários para estudar, permitindo liberdade, em alguns dias, para uma atividade prazerosa, social ou esportiva. É necessário que o aluno estabeleça uma meta de estudos por dia: que matéria(s) será(ão) estudada(s), quantas páginas de apostila, quantas unidades de livro, e quantas resoluções de exercícios. Isso ajuda, inclusive, a diminuir a angústia sentida, muitas vezes, pela sensação de não dar conta do que precisa ser estudado.

Também não é adequado que os estudos comecem muito cedo e terminem muito tarde. O descanso e o lazer programados são essenciais para que os estudos sejam, de fato, proveitosos. “O stress esgota as atividades dos neurônios, causa problemas na transmissão e faz com que as sinapses não ocorram adequadamente” [1]. Por outro lado, o sono “(…) restaura as sinapses, elo transmissor entre os neurônios, e melhora o funcionamento do cérebro. Oito horas de sono é o ideal.” [1]

Uma vez definidas as horas possíveis de estudo, descanso e lazer, é fundamental manter uma rotina de execução das atividades programadas. É necessário que o aluno tenha um cronograma de estudos bem definido, com horário de início e fim das tarefas, bem como as pausas programadas para descanso, alimentação e higiene. Se o aluno se dedicar a cumprir todas as atividades nos limites de tempo programados, vai sentir-se mais seguro e tranquilo.

A parte talvez desagradável de tudo isso é que o cronograma de estudos deve incluir finais de semana e as férias. Aos finais de semana, é adequado que o aluno reserve 6 horas no sábado e 4 horas no domingo para estudos. O restante do tempo, o aluno pode – deve – dedicar a outras atividades. Nas férias, o ideal é que o aluno descanse – ou viaje – na primeira semana, pois, dessa  forma, descansa o corpo e a mente depois de um semestre de muito estudo. No entanto, nas semanas seguintes, é necessário que o aluno retome sua rotina de estudos, pois, assim, estará revisando conteúdos e, ao mesmo tempo, preparando-se para voltar ao ritmo acelerado do segundo semestre.

Portanto, apesar de parecer tenebroso, o período pré-vestibular pode e deve conciliar muito estudo e descanso na medida necessária. Basta, para isso, que o aluno mantenha-se organizado e disciplinado.

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[1] Superinteressante, Março/2012, p.82.

 

A influência do sono no aprendizado e na saúde

Na vida diária, dormir pouco interfere no humor, na memória, na atenção, no raciocínio, no equilíbrio, enfim nos processos cognitivos que relacionam uma pessoa ao seu ambiente e que determinam a qualidade de seu desempenho e de sua saúde.

Não devemos pensar no sono apenas como um repouso para o corpo e para o cérebro. Este último continua ativo enquanto dormimos, durante este período apagamos informações desnecessárias aprendidas durante o dia e reforçamos o que foi aprendido e que é importante que seja memorizado.

Durante o sono ocorrem vários processos metabólicos que se alterados podem afetar o equilíbrio de todo o organismo:

  • O pico de produção do Hormônio de Crescimento (GH) ocorre durante a primeira fase do sono profundo. Além de estar envolvido com o crescimento o GH ajuda a manter o tônus muscular, evita o acúmulo de gordura e melhora o desempenho físico.
  • A Leptina, hormônio que controla a sensação de saciedade, também é secretada durante o sono. Ao produzir menor quantidade de lecitina o corpo sente necessidade de ingerir maior quantidade de carboidrato.
  • A privação de sono pode inibir a produção de insulina, hormônio que retira o açúcar do sangue, pelo pâncreas.
  • A falta de sono pode também elevar o nível de cortisol, hormônio do stress, que tem efeito contrário ao da insulina, fazendo com que a taxa de glicose (açúcar) no sangue se eleve.

Estes dois últimos fatores podem favorecer o aparecimento a longo prazo de diabetes ou um estado pré-diabético.

O sono é regido por nosso relógio biológico. A quantidade de sono necessária a cada pessoa é uma característica individual, mas a média da população necessita de 7 a 8 horas de sono diárias. Um indicador de privação de sono é a tendência para adormecer durante o dia. Isto acontece aos alunos durante as aulas ou sobre os livros de estudo.

Conclusão:

Estudos atuais comprovam que quem dorme pouco tem menor vigor físico, envelhece mais cedo, está mais propenso a infecções, diabetes, obesidade e hipertensão.

O sono não suprime a necessidade do estudo, de atenção nas aulas, da prática para o domínio da técnica, mas dormir pouco afeta nossa capacidade de memorizar e, conseqüentemente de aprender. Ocorre comprometimento da criatividade, redução da capacidade de planejar e executar, lentidão de raciocínio, desatenção e dificuldade de concentração. Uma boa noite de sono é necessária para consolidar o que foi aprendido durante o dia.

Orientações:

  • Não durma de madrugada na véspera de uma prova.
  • Não fique estudando até muito tarde. É preferível acordar mais cedo e recomeçar, você estará mais descansado e o estudo renderá mais.
  • Aproveite o fim de semana para recuperar o sono atrasado, desligue o despertador e o celular.

Conselhos para Dormir Melhor:

  • À noite procure comer alimentos leves e não em grande quantidade. Evite tomar café, mate, chá preto.
  • Não durma com a TV ligada, uma vez que isso impede que você durma profundamente.
  • Evite jogos violentos no computador antes de dormir.
  • Durma com todas as luzes apagadas.
  • Tome um banho quente antes de dormir, para ajudar a relaxar.

Referências:
Dra Regeane Trabulsi Cronfli, médica formada pela Faculdade de Medicina da USP, especialista em Endocrinologia e Metabologia.
Saúde em Movimento. (www.saudeemovimento.com.br) 21/01/2008 .
Science in School. Sono e aprendizagem. 16/03/2007.
Dra Beatriz Salles Aguiar, médica (CRM 20610) responsável pelo Ambulatório Médico do Colégio Bandeirantes.

Você sabia que comer pouco nem sempre emagrece?

Teoricamente se você ingerir menos calorias do que gasta diariamente seu peso se reduzirá, isto, porém não é garantia de redução de tecido gorduroso.

Todas as adaptações feitas pelo nosso corpo visam somente nossa sobrevivência, não levando em consideração a estética. O corpo não tem como saber que você não está comendo porque não tem tempo ou está de regime. A interpretação dele é que você não tem o que comer e não que você não quer comer, para poupar energia o seu metabolismo vai diminuir.

O corpo humano em repouso precisa de uma quantidade mínima de energia diária (energia basal) para a manutenção de suas funções vitais (funcionamento de todos os órgãos).

O gasto energético total diário inclui, além do gasto basal, também a energia gasta com atividades físicas, trabalho e/ou estudo e a digestão dos alimentos. Comer também gasta energia, 6 a 10% do gasto total diário de energia ocorre durante o processo de digestão.

Motivos pelos quais posso engordar  fazendo regime sem orientação adequada:

  • Pular refeições e comer muito pouco diminui o metabolismo. Nosso corpo prioriza o armazenamento de energia como gordura. Numa dieta mal planejada o tecido muscular é mais utilizado do que a gordura para fornecer energia, e você poderá perder massa muscular e não tecido adiposo como era sua intenção ao iniciar a dieta.
  • O carboidrato não pode ser totalmente cortado da alimentação. Eles são os nutrientes responsáveis pela queima de gordura e fornecimento de calorias ao organismo. Devemos consumir com moderação os carboidratos complexos como mandioca, macarrão, pão, arroz, dando preferência as versões integrais, e evitar os carboidratos simples como os açúcares.
  • Gastando menos energia, devido ao metabolismo diminuído, temos mais chance de engordar quando damos uma escapadinha da dieta, porque a comida ingerida pode ter mais calorias do que o corpo está atualmente adaptado a queimar.

Orientação:

  • Faça regime com orientação médica ou de um nutricionista.
  • Tenha paciência. Não existe regime milagroso e não se deve emagrecer muito rapidamente.
  • A dieta deve ser balanceada e não composta por 1 ou 2 tipos de alimento somente (papinha de nenê, clara de ovo etc).
  • Coma de 3/3horas.
  • Pratique exercício físico regularmente.

Dra Beatriz Salles Aguiar. Médica (CRM 20610) responsável pelo Ambulatório Médico do Colégio Bandeirantes

Perda auditiva causada pelos aparelhos portáteis de música

Prof.a Dra. Tânia Sih – Faculdade de Medicina USP
Prof. Dr. Ricardo Godinho – PUC Minas

Nos últimos anos ocorreu uma extraordinária popularização dos aparelhos portáteis de músicas, incluindo os celulares. Na onda deste crescimento, a exposição de jovens a música em volume alto aumentou drasticamente e na mesma proporção os riscos de danos à saúde.

Os aparelhos de som pessoais também podem reproduzir o som na mesma intensidade da música alta de shows, boates e bares, representando uma fonte potencialmente perigosa de ruído recreativo. Os níveis de som em shows de rock foram registrados entre 120 a 140 dB e aqueles em bares e boates podem atingir intensidades sonoras maiores que 95 dB.

Os tocadores de MP3 ou MP4, utilizados por mais 64% dos estudantes de classe média de São Paulo, e por aproximadamente 100 milhões de pessoas em todo o mundo, chegam, facilmente, aos 120 dB. Intensidade suficiente para provocar perda auditiva com utilização diária de menos de 5 minutos.

A perda auditiva, a sensação de zumbido e/ou ouvido cheio que pode ser percebida quando saímos de um show ou de uma festa em uma boate, ou até mesmo após acompanhar um trio elétrico no carnaval, é uma consequência de uma lesão das células do nosso ouvido. A maioria dos jovens, entretanto é incapaz de relacionar adequadamente o efeito indesejado do som alto na capacidade de escutar.

A perda auditiva causada pela música não se deve somente a intensidade dos níveis de volume, mas também ao tempo de exposição a este estímulo sonoro elevado. Alguns jovens podem ser mais sensíveis à lesão causada pelo som. Importante lembrar que estes danos podem ser reversíveis apenas em estágios iniciais.

Cuidado
Uma pesquisa realizada pela Deafness Research (UK) estima que os jovens de hoje fiquem surdos 30 anos mais cedo do que os seus pais. O principal motivo desta previsão desastrosa é o desconhecimento dos efeitos nocivos dos ruídos intensos – a música pode ser um deles – para a audição humana.

Protegendo o ouvido
Usar um protetor auricular em shows pode proteger a audição sem diminuir o divertimento. Os otorrinos e os pais são o grupo com maior probabilidade de recomendar o uso de proteção do ouvido. Além disso, influências sociais tais como os amigos, exemplos públicos e a televisão também poderiam influenciar tal comportamento.

Volume e Tempo limite para o uso do MP3
Segundo um Estudo da Universidade do Colorado, estes limites baseiam-se na média de ruído que os tocadores de MP3 são capazes de gerar.

% do controle do volume Tempo limite antes de ocorrer dano
Até 50% Sem limite
60% 18 horas
70% 4,6 horas
80% 1,2 horas
90% 18 minutos
100% 5 minutos*

*O artigo original fala em 5 minutos, porém como os aparelhos no Brasil atingem 120 dB, não é prudente utilizar mais de 3 minutos.

Deve-se ainda dar um desconto, diminuindo o tempo de uso, para os aparelhos e/ou fones falsificados, que normalmente atingem uma intensidade maior, porém com menor qualidade.

Fone de Ouvido adequado
Os fones que ficam “dentro da orelha” possuem, em média, 5,5 dB de intensidade a mais que os fones que ficam “sobre a orelha”. Estes últimos, então, podem ser utilizados por um pouco mais de tempo. Novos modelos de fones, feitos sob medida, entretanto, são desenhados para bloquear a entrada do conduto auditivo, evitam a audição de ruídos externos e permitem ao ouvinte escutar músicas com um volume menor.

Quando procurar orientação médica
O otorrinolaringologista é o médico especializado em prevenir, diagnosticar e tratar os problemas da audição.
Procure orientação na presença de: zumbido, sensação de ouvido cheio, qualquer incômodo no ouvido ou perda auditiva.

Mais informações
www.iapo.org.br
www.otorrinopediatria.com.br