Contusões – Primeiro Atendimento

Nossos alunos perguntam por que tratamos com gelo todos aqueles que sofrem batidas, pancadas e entorses que comparecem ao Ambulatório do Colégio Bandeirantes: “Por que colocar gelo no dedo que está doendo após uma bolada?”

Antes de tudo, esclareçamos o que se define por contusão:

Contusão é toda lesão produzida em nossos tecidos por um agente mecânico (contundente), como uma batida, sem que haja ferimento com rompimento da pele.

Entorses podem ser definidos de maneira simples como torções das articulações (juntas) por um trauma, sem ruptura de pele.

Em ambos os casos, logo após a agressão aos tecidos começa a reação dos mesmos, resultando em edema (inchaço), que nada mais é do que o extravasamento (saída) de líquidos dos tecidos para fora de seus lugares habituais (células e vasos sanguíneos), mantendo-se, porém, abaixo da pele, sem rompê-la. Esse líquido rapidamente ocupa espaço entre os tecidos contundidos, fazendo com que a dor apareça e aumente, se não tomadas medidas para fazer cessar o processo e revertê-lo.

O gelo promove diminuição da dor porque reduz o inchaço (edema) e hematomas (coleções sanguíneas entre os tecidos), devido à vasoconstricção que provoca, isto é, o frio faz os vasos sanguíneos reduzirem seu calibre, fazendo com que não sangre mais ou o sangramento seja menor, diminuindo os efeitos deletérios (ruins) no momento, propiciando uma melhor recuperação depois. Também, pelo mesmo mecanismo de redução do aporte de líquido à região, faz com que o edema não aumente muito mais após a aplicação do gelo.

Quando devemos usar gelo nas contusões? SEMPRE.

Pode-se usá-lo em traumatismos musculares, tendinosos, ligamentares, câimbras e até em “galo” na testa após uma cabeçada. O “galo” nada mais é do que um hematoma em formação.

O gelo deve ser colocado no local que está doendo imediatamente após o traumatismo. Para proteger a pele utiliza-se uma toalha entre a pele e o recipiente (pode ser um saco plástico) com gelo.

Nas grandes articulações (cotovelo, ombro, coxa, joelho, tornozelo ) a aplicação deve durar no mínimo 30 minutos, podendo ser repetida a cada 20 minutos. Nos dedos aplica-se o gelo por um período de 10 minutos. Essa alternância visa não só manter a irrigação sanguínea dos tecidos, mas também provocar, durante a retirada do gelo, a diminuição do edema já ocorrido, pelo efeito rebote (entenda-se retorno rápido) da circulação ao retirarmos o gelo momentaneamente (os vasos que já pararam de sangrar podem reabsorver os líquidos nesse momento).

Não se aplica gelo diretamente em feridas abertas ou queimaduras, por perigo de se aumentar eventual área de necrose (morte de tecidos) e infecção.

Orientação Prática:

O que fazer ao terminar de treinar e sentir dor em alguma parte do corpo ou suspeitar de alguma contusão:

Gelo: imediato e nas primeiras 24 a 48 horas após a lesão ou inicio da dor. Esse período é crítico, logo, fazer compressas geladas com freqüência (ver intervalos e razões acima, no texto);

Elevação do membro contundido, isto é, manter o local afetado para cima, para evitar que, por força da gravidade, o inchaço (edema) aumente, assim como para desinchar;

Descanso: a continuação da prática esportiva poderá agravar a lesão. Se a dor não desaparecer rapidamente só voltar a treinar após ter obtido parecer profissional a respeito do problema.

Em Resumo:

Trauma Fechado (sem sangramento):

  1. Gelo;
  2. Imobilização do membro (até se conhecer a gravidade da lesão);
  3. Elevação do membro;
  4. Consulta a profissional de saúde

Autores:

Beatriz Salles Aguiar – Médica (CRM 20610) responsável pelo Ambulatório Médico do Colégio Bandeirantes, Especialista em Pediatria pela Faculdade de Medicina da USP e Sociedade Brasileira de Pediatria, Especialista em Medicina Desportiva pela USP;

Luiz Alvaro de Menezes Filho – Médico (CRM 22033), Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela USP e Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, Mestre e Doutor em Ortopedia e Traumatologia pela USP, Especialista em Medicina Desportiva pela USP.